Descalce a sapatilha. Elas são teus medos, tuas dúvidas, tuas fraquezas. Bailarina entenda que nenhum equipamento te tornará mais forte, nenhuma roupa mais bela, nenhum passo mais sábia. O que te torna mais forte, bela e sábia é o brilho que carregas nos olhos.
Ah, Bailarina! Se eu tivesse o talento que tu tens, se eu tivesse a força que tu carregas nos pés e o sorriso que não cansa de aparecer mesmo em dias tristes, eu saberia o valor real da vida. Se ao menos me destes uma chance como outra fez com a dança, eu ficaria feliz.
Bailarina, se sorristes eternamente para mim, como fizestes nos dias que lhe ofereci uma rosa, os dias nublados esqueceria-se da guerra e lembrar-se-ia do Sol. Se sorristes eternamente para os lábios meus, na verdade, não precisaria a eternidade um segundo bastaria, estes não se esqueceriam de sorrir em troca para ti.
Enfim, Bailarina, suplico-te mais uma vez para que destes razão aos meus motivos, aos meus sorrisos, ao meu amor. Digo a ti em derradeira que se sorris para mim por uma última vez, ao menos por um segundo, viajarei e lutarei em busca do teu brilho. E se eu morresse, saiba que morreria sorrindo, lembrando-me dos teus cuidados e sendo a ti, eternamente grato.
- Súplica de um Soldado (de Chumbo) em viagem à Segunda Guerra Mundial